Introdução PDF Imprimir e-mail

Muitos dos peixes de água doce endémicos do continente português bem como vários outros organismos aquáticos, entre os quais plantas e invertebrados, encontram-se criticamente ameaçados de extinção. Estes endemismos ocorrem em pequenos rios e ribeiras do Sul do país, sujeitas a elevadíssimos níveis de poluição, degradação biofísica e fortes variações de caudal.

Por exemplo, a boga-do-Oeste (Achondrostoma occidentale) só existe em três rios da Estremadura – Alcabrichel, Sizandro e Safarujo – cursos de água sujeitos a níveis extremos de poluição por esgotos urbanos, poluentes de origem agrícola e descargas de instalações pecuárias. São bem conhecidas do público as mortalidades em massa nestas pequenas ribeiras do Oeste.

Projectos de regularização fluvial tecnicamente inadequados têm levado à destruição da vegetação marginal, à destruição das zonas alagadiças marginais importantes para o desenvolvimento dos alevins e à criação de leitos de margens escarpadas sem revestimento vegetal.

Acresce o facto de a maior parte dos peixes endémicos ameaçados ocorrerem em cursos de água localizados no Sul do país. O clima mediterrânico reflecte-se numa intensa variação sazonal do caudal. Durante o verão, estes rios estão reduzidos a alguns pêgos, facto que torna os organismos aquáticos particularmente vulneráveis a situações de seca extrema.

Em cursos de água intermitentes ou de regime torrencial, a captação de água para a rega agrava ainda mais o estado de degradação biológica, secando os pêgos onde os peixes sobrevivem durante o Verão.

De acordo com os cenários desenvolvidos pelos climatologistas para o Sul da Península ibérica, relativos às alterações climáticas, prevê-se um aumento da frequência de situações de seca extrema. Recentemente, na sequência da seca extrema de 2005, a equipa da Unidade de Investigação em Eco Etologia do Instituto Superior Psicologia Aplicada, verificou uma fortíssima regressão e eventualmente a extinção, de uma das três populações da boga-do-Oeste (Achondrostoma occidentale).

Situação semelhante pode ser descrita relativamente a alguns invertebrados, salientando-se os bivalves de água doce e algumas plantas aquáticas.

Neste contexto, a Quercus sentiu a premência de encetar medidas que permitam a conservação ex situ das espécies dulciaquícolas mais ameaçadas de extinção, tendo-se estabelecido um programa de colaboração que envolve a Unidade de Investigação em Eco Etologia do Instituto Superior Psicologia Aplicada, o Aquário Vasco da Gama, a Faculdade de Medicina Veterinária, a EDP - Energias de Portugal e a Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos. Pretende-se manter em cativeiro stocks adequados até que as condições ambientais mostrem melhorias significativas.

Simultaneamente, de forma integrada, os participantes neste projecto encontram-se a avaliar a possibilidade de intervir nas linhas de água mais relevantes para a conservação das espécies que se encontram em situação mais crítica.

 
Artigo seguinte >