Métodos e espécies PDF Imprimir e-mail

Este projecto utiliza técnicas de aquacultura extensiva a semi-intensiva com cargas de peixe a oscilarem entre os 100 e 400 gramas por hectare. Assim a alimentação artificial será utilizada como suplemente à produção natural de alimentos nos tanques, sendo os nutrientes mantidos em níveis seguros de modo a não poluir o rio a jusante do sistema. As cargas de matéria orgânica efluentes serão muito inferiores às praticadas nas truticulturas representando, portanto, uma melhoria do ponto de vista ambiental em ralação à situação anteriormente existente.

A técnica de produção de alevins baseia-se numa metodologia que preserva os comportamentos naturais dos peixes e reduz ao mínimo os custos com mão-de- -obra. Em vez da extracçao forçada dos gâmetas, como se faz habitualmente com salmonídeos, os reprodutores serão colocados em tanques de desova com substractos de postura apropriados como molhos de lã ou filamentos sintéticos onde os ovos ficam protegidos dos próprios adultos. Nos mesmos tanques são colocadas gaiolas de abrigo com uma rede que permite a entrada das larvas/alevins mas é demasiado pequena para permitir a entrada dos adultos. Fica assim reservada para o crescimento dos juvenis uma área do tanque onde estarão livres da predação por peixes maiores. Esta técnica foi já testada com pleno sucesso pela equipa técnica responsável nas instalações do Aquário Vasco da Gama. As instalações de interior serão usadas como apoio em situações em que se torne necessário recorrer à reprodução forçada por razões de emergência. No entanto, numa piscicultura dirigida para a reprodução de animais aptos a sobreviver no meio natural, parece-nos essencial preservar os comportamentos reprodutores dos adultos e os comportamentos de fuga dos alevins. A reprodução forçada e a criação de alevins durante várias gerações poderia conduzir à acumulação de mutantes inaptos para viver em ambiente natural.

Do ponto de vista sanitário todos os tanques têm fluxos independentes de modo que uma epizootia que se declare num tanque não se propagará aos restantes. Todos os tanques estão equipados com sistemas de arejamento da água à entrada e sistemas de oxigenação de reforço, além de fontes alternativas de captação de água no verão para o caso da ribeira que abastece o sistema de piscicultura deixar de correr durante as secas.

A implementação do projecto implicará a realização de capturas em habitat natural das espécies e quantitativos constantes da seguinte tabela.

Espécie Quantidade Notas
Lampetra fluviatilis/planeri 25 Amocetes oriundos da bacia do Tejo
Iberochondrostoma lusitanicum 25  
Squalius aradensis 25  
Squalius torgalensis 25  
Achondrostoma occidentale 25  
Iberochondrostoma almacai 25  
Pilularia minuta 10 Rizomas de cerca de 20 cm
Marsilea quadrifolia 10 Rizomas de cerca de 20 cm
Narcissus willkommii 50 Sementes oriundas de 5 plantas distintas

Estamos conscientes de que este número não será suficiente para assegurar a diversidade genética das populações a preservar, o que só se conseguiria com largas centenas de animais. No entanto, o princípio da precaução leva-nos a considerar que numa primeira fase é preferível preservar alguns indivíduos de uma espécie contra o risco de extinção na natureza.

Posteriormente, quando se dispuser de exemplares produzidos em cativeiro, será solicitada autorização para novas capturas, visando aumentar a diversidade genética dos stocks ex situ. Em simultâneo, irão reforçar-se as populações naturais com reintrodução de exemplares nascidos em cativeiro, cujo número compensará os efectivos populacionais colhidos. Estas operações carecem de licenciamento por parte das autoridades administrativas e serão solicitadas, atempadamente, as autorizações necessárias para o efeito.
 
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