Barragens PDF Imprimir e-mail

As barragens, construídas para produção de energia eléctrica e/ou abastecimento de água às populações e agricultura, transformam radicalmente os rios. Os peixes migradores como os sáveis, as lampreias, as enguias e uma parte importante das trutas, veêm-se impedidos de ultrapassar estes obstáculos de betão e na grande maioria dos casos não se criaram passagens para peixes que lhes permitam encontrar um caminho para prosseguir a sua migração. Até as bogas e os barbos se veêm impedidos de fazer as suas migrações reprodutoras rio acima. É impressionante ver no tempo das migrações para a desova os grandes peixes saltando, desesperadamente, junto aos muros das barragens que não conseguem ultrapassar. O leito dos rios acima das barragens transforma-se também radicalmente. De canais de águas correntes que eram transformam-se em lagos artificiais devido ao represamento das águas. Nestes lagos, onde as margens são geralmente pouco profundas, os peixes não encontram os ambientes de águas rasas propícios ao crescimento dos alevins e à alimentação das espécies de pequeno tamanho. Isto quer dizer que, apesar de serem grandes lagos, as barragens estão muito longe de serem paraísos para os peixes, mesmo para os que não são migradores. Estes grandes lagos, que em Portugal já cobriram árvores e até aldeias, são locais pobres uma vez que a maior parte das nossas espécies estavam adaptadas a viver nos rios e não tiram eficazmente partido das águas profundas das albufeiras. As bogas de boca recta, impedidas de fazer as suas migrações de reprodução para os ribeiros de montanha, acabam por se cruzar com espécies de bogas mais pequenas e sedentárias, a que se chamam habitualmente ruivacos, gerando um número crescente de híbridos.
 
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