Descarga de efluentes PDF Imprimir e-mail

A industrialização e o desenvolvimento urbano não foram acompanhados de planos adequados de tratamento dos esgotos, de modo que os rios eram o sítio mais fácil para efectuar o despejo de todo o tipo de efluentes. À matéria orgânica como a que resulta dos esgotos domésticos e do lixo (restos animais, vegetais, etc...) juntam-se substâncias muito mais perigosas para os seres vivos que dependem do rio.

                               

Detergentes, insecticidas, herbicidas, excesso dos adubos que escorreram dos campos, metais pesados, sucata industrial e detritos de celulose das fábricas de pasta de papel são lançados indiscriminadamente nos rios, contaminando as suas águas com uma extraordinária variedade de substâncias. Muitos dos mais belos rios do Minho, como o Cávado ou o Ave, são o testemunho de uma industrialização e urbanização que abusaram do rio sem quaisquer escrúpulos, criando hábitos de usar o rio como vazadouro, já tão enraizados nas populações que se torna difícil convencer as pessoas a gastar dinheiro para alterar a situação. Todos os anos os meios de comunicação como a imprensa e a televisão nos falam de mortalidades em massa de peixes porque uma empresa industrial, uma exploração pecuária ou uma estação de tratamento, procederam a descargas que tradicionalmente ficavam impunes. Os poluentes não afectam apenas os animais que matam imediatamente ao entrar na água. Muitos deles, como o mercúrio e outros metais pesados ou insecticidas, não matam os animais e as plantas de imediato mas vão-se acumulando nos tecidos. Quando esses animais contaminados são comidos por outros repetidamente, os poluentes que carregavam no seu corpo vão-se acumulando em concentrações cada vez mais altas nos predadores. É assim que uma substância tóxica que entrou por exemplo em insectos ou pequenos peixes pode ir parar a peixes de muito maior porte, ao corpo de aves, de anfíbios e do próprio Homem.
 














 

As relações entre os organismos que vivem no rio e que com ele se relacionam são complexas e variadas formando uma verdadeira rede de modo que uma substância prejudicial que começou por entrar numa ou duas espécies, rapidamente se pode espalhar por toda a rede de seres vivos que dependem uns dos outros. O Homem é muitas vezes ele próprio, sem se aperceber, afectado por estes poluentes acumulados no corpo dos animais que consome. Até os antibióticos que usamos no tratamento das doenças humanas vão através dos esgotos maltratados parar aos rios e hoje encontram-se peixes infectados com bactérias resistentes a antibióticos habitualmente usados por seres humanos. Não é necessário descrever todos os tipos de poluição que afectam os rios - partículas de poeira que entopem as guelras dos peixes, restos de minério que tornam as águas de certos rios e lagoas alentejanos extremamente ácidos e mortíferos para os peixes, fragmentos de plástico, etc, etc, etc. Qualquer pessoa que olhe com um pouco de atenção para o que se passa à sua volta imaginará formas de poluição que poderíamos acrescentar às que se descreveram acima.

 

 
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