Excesso de nutrientes e eutrofização PDF Imprimir e-mail

Não são apenas as substâncias tóxicas ou que prejudicam fisicamente os organismos (bloqueando o aparelho digestivo, o aparelho respiratório, etc) que actuam como poluentes. Mesmo se eliminássemos todas as substâncias perigosas dos esgotos industriais e urbanos, o excesso de substâncias nutritivas continuaria a constituir uma ameaça para os sistemas aquáticos. Como é isto possível? Os restos animais e vegetais ao decompor-se libertam os elementos nutritivos como o azoto e o fósforo que estão na base da existência de todas as comunidades de seres vivos. São estes adubos que as plantas usam para poderem crescer e multiplicar-se. As plantas, por sua vez, servem de base a animais que muitas vezes são comidos por outros animais. Os restos tanto de uns como de outros são decompostos por pequenos animais detritívoros (muitas vezes microscópicos ou quase) e por organismos ainda muito mais pequenos como as bactérias e os fungos que decompõem a matéria orgânica voltando a libertar os elementos químicos naturais que permitem que o ciclo recomece.


Se aumentarmos a quantidade de fósforo e azoto disponível na água, poderíamos esperar à primeira vista um efeito benéfico e isto é muitas vezes verdade quando as quantidades destes elementos nutritivos não são exageradas. Quando, pelo contrário, os elementos nutritivos existem em quantidades exageradas, o crescimento das plantas que deles de alimentam é de tal maneira pujante que os animais existentes não conseguem consumir a matéria vegetal ao ritmo a que ela é produzida. Parte destas plantas são algas microscópicas que vivem em suspensão na água e uma água excessivamente adubada fica, por isso, com uma cor verde devido à grande quantidade de algas. Estes excessos de algas e outras plantas acabam por se acumular uns sobre os outros. Como as plantas precisam de luz para fazer a fotossíntese (fabricar os seus alimentos absorvendo dióxido de carbono e libertando oxigénio) as plantas que ficam no fundo das acumulações e que não recebem luz suficiente porque a água está “demasiado opaca” acabam por morrer porque não há animais que as consumam em quantidades suficientes. Ao decomporem-se pela acção das bactérias, estas plantas libertam substâncias tóxicas como o gás sulfídrico e o metano que tornam a vida imprópria para os animais ao mesmo tempo que a respiração da enorme quantidade de microrganismos que as fazem apodrecer rouba o oxigénio dissolvido na água. Mesmo as plantas que se encontram mais à superfície consomem oxigénio durante a noite, de modo que antes do romper do dia, especialmente em noites quentes, a água pode ter níveis extremamente baixos deste gás tão precioso para a vida. Aquilo que começou por ser um aumento da abundância de plantas acaba como uma enorme quantidade de matéria orgânica em putrefacção de modo que muitas vezes os peixes e outros animais morrem asfixiados e intoxicados no meio de uma abundância de restos vegetais decompostos que nenhum animal conseguiu consumir.

Este processo complexo a que se chama eutrofização é, como se disse, a consequência de um crescimento excessivo de plantas, muitas delas microscópicas, devido ao excesso de nutrientes. De onde vêm estes nutrientes? Os desperdícios de origem vegetal e animal ao decomporem-se libertam os elementos nutritivos que continham – é o mesmo processo que os agricultores usam quando estrumam a terra para a tornar mais fértil. Os esgotos domésticos, mesmo quando são tratados, acabam habitualmente por levar para os rios estes elementos nutritivos, contribuindo para o mesmo excesso de fertilização. A agricultura moderna faz uso de quantidades muito elevadas de adubos. Uma parte destes adubos não chega a ser absorvida pelas plantas nos campos de cultura e é arrastada pela água da chuva, quer correndo à superficie, quer debaixo do solo como água subterrânea, acabando por ir parar às linhas de água. É assim que resíduos domésticos, industriais, agrícolas e pecuários contribuem para eutrofizar rios e lagos, podendo matar quase toda a vida animal neles existente. Até nos tanques de piscicultura este problema se coloca: muitas vezes, com a pretensão de alimentar os peixes para os engordar eficazmente os piscicultores originam excessos de fertilizantes quer devido aos restos de alimento, quer devido à urina e excrementos dos peixes que podem provocar envenenamento e falta de oxigénio nos viveiros e afectar as águas naturais para onde os tanques são escoados.

 

 
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